Pelo início, talvez.
O difícil é saber onde tudo começou.
Comecei quando percebi que precisava de uma decisão: explodir em palavras ou explodir em pedaços.
Existem aqueles momentos em que me sinto só sentimentos, uma dor intermitente por dentro.Um vácuo. Sem propagação. Um caminho inexplorado numa galáxia distante.
Me aconselharam que eu dormisse, mas as imagens e os sons começam a fazer parte também dos meus sonhos. Me aconselharam que eu bebesse, mas esse é um remédio apenas momentâneo: o vazio volta com a ressaca do dia seguinte. Me aconselharam também a desabafar com alguém, mas até agora não encontrei alguém que me entendesse de verdade ou que pelo menos fingisse isso. Me aconselharam a ver filmes nas horas vagas, mas eu enxergo minhas histórias e tristezas nas entrelinhas e o vazio me consome.
Foi aí que me aconselharam que eu escrevesse.
Foi uma escolha.
Quem sabe, a menos maléfica. Mas acredite, ás vezes fico na dúvida.
Ás vezes essas palavras engasgadas me forçam a acreditar que mesmo sendo a alternativa mais covarde seria a mais inteligente, essa de explodir em pedaços.
Mas é também uma oportunidade a todos a minha volta, uma oportunidade pra que eles me entendam. Uma oportunidade pra que conheçam o Verdadeiro Eu que se esconde atrás de respostas aleatórias e sorrisos plásticos, muitas vezes usados só pra evitar outras perguntas.
Eu sou isso. Sou só palavras. Deixei de ser uma mistura de corpo e alma pra ser apenas uma mistura desgovernada de sentimentos.
Nada além disso.
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